• Andre Havro

Como os novos Ps do digital vão transformar seu marketing na era do “novo normal”

Como aplicar o mix de marketing na sua estratégia de negócios e se manter competitivo após a histórica expansão do mercado digital na era pós-pandemia.



Quem já teve o mínimo contato com marketing, provavelmente dedicou uma parcela do seu tempo para ter na ponta da língua o significado dos tradicionais 4 Ps do Marketing: Produto, Preço, Praça e Promoção, também conhecidos como Mix de Marketing (ou Composto de Marketing). Um conjunto de variáveis que podem ser controladas e utilizadas como forma de influenciar a resposta do consumidor e que representam os quatro pilares básicos de qualquer estratégia de negócios. Porém esse conjunto de variáveis evoluiu e se ramificou, sobretudo, devido às mudanças tecnológicas ocorridas a partir da década de 90. Além disso é preciso saber que o equilíbrio desses elementos é o que possibilita o sucesso de uma marca.


Tenho criado, como consultor de marketing, muitas estratégias de digital marketing e branding ao longo da minha carreira e não é difícil receber clientes que me procuram para perguntar sobre a importância do mix de marketing no meio digital. Muitas vezes recebo clientes que já estão vendendo o seu produto no mercado online, mas que não fizeram a tarefa básica de criar uma estratégia de vendas e marketing ainda na fase do plano de negócios. Ou até criaram um plano de negócios, mas sem levar em conta os novos pilares do mix de marketing e como eles são aplicados na estratégia digital. Ao contrário do que muita gente pensa, o marketing é uma ciência que vai muito além do que a simples e pura divulgação, e é acima de tudo, fruto de muito planejamento.


Entenda a origem do Mix de Marketing


O conceito de mix de marketing foi criado no final da década de 1940 pelo professor de publicidade em Harvard, Neil H. Borden, que inspirado em um artigo de seu colega de profissão, James Culliton, descreveu os profissionais de marketing como “misturadores de ingredientes”, daí a origem do nome mix de marketing. Mas, apesar da ideia de “misturadores” ter se popularizado entre os profissionais de marketing da época, não havia um consenso sobre os elementos que deveriam compor este mix, até que em 1960, o professor e autor Edmund Jerome McCarthy propôs o conceito do “Mix de Marketing 4 Ps” em seu livro Basic Marketing: A Managerial Approach. O que ele queria com a definição desses quatro grandes pilares era mostrar porque algumas marcas são mais caras que outras, porque algumas vendem mais que outras e porque algumas são mais bem promovidas do que outras.


Mas foi Philip Kotler que, mais tarde, ajudou a difundir o conceito. Os seguidos estudos realizados por Kotler disseminaram o mix de marketing para todo o mundo, complementando a teoria elaborada por McCarthy e dando um caráter mais prático. Foi ele quem definiu os quatro pilares como ferramentas aplicáveis no marketing das empresas, onde explorou afundo a teoria em seus livros. A sua influência foi tão importante que muitos acham que foi ele quem desenvolveu a ideia dos 4 Ps.


A importância do Mix de Marketing para o seu negócio


Nenhuma ferramenta ou modelo que ajude a fazer uma boa gestão de marca deve ser descartada, porém por serem tão populares, muitas empresas simplesmente desconsideram o uso do mix de marketing no seu planejamento. Porém, eles ajudam não apenas a definir como vender mais, funcionando como uma bússola que aponta o caminho correto na hora da ação, mas também a maneira de ser mais assertivo na conquista e manutenção dos novos e antigos clientes.


Para conseguir se manter no mercado de forma competitiva, a empresa deve buscar um padrão de excelência nos seus produtos ou serviços, levando em consideração que os clientes se tornam cada vez mais exigentes. E para isso as empresas precisam, cada vez mais, estarem preocupadas em satisfazer as necessidades dos clientes. Para Kotler e Armstrong (2010), “a chave para atingir os objetivos da organização consiste em determinar as necessidades e os desejos dos consumidores alvo e satisfazê-los mais eficaz e eficientemente do que os concorrentes.”


Por que o café da Starbucks é mais caro do que os concorrentes e mesmo assim é um fenômeno mundial? A resposta está intimamente relacionada à capacidade da marca em deixar o público ciente dos seus diferenciais, como a experiência de consumo, por exemplo, que é totalmente diferenciada. O real segredo da Starbucks está, entre outras coisas, na decoração da loja, na playlist que toca ao fundo, nas confortáveis poltronas, nas mesinhas de madeira com tomadas próximas, no wi-fi gratuito e na possibilidade de customizar sua bebida, que vem personalizada com o seu nome.


Num primeiro momento, isso tudo soa bastante comum e facilmente copiável por outras cafeterias. Mas, o que realmente faz disso algo único na marca é o fato dela conseguir replicar com excelência a mesma experiência em todas as suas lojas ao redor do mundo. Tudo isso faz com que o consumidor se sinta parte de uma tribo (mesmo que por alguns instantes) que habita o coffee shop para trabalhar, estudar e fazer reuniões. É claro que isso acaba sendo percebido como um item muito mais valioso do que se estivesse tomando um café no balcão da padaria.


O conjunto dos Ps vai se alterando e se adaptando para que clientes e empresas possam se beneficiar, e ele pode (e deve) ser atualizado de acordo com as necessidades de cada negócio. Uma vez utilizado de forma correta, ele servirá como um guia, testado e aprovado por uma série de empresas desde a década de 60, e que servirá para qualquer ação futura de marketing e vendas.


Na hora de criar o seu planejamento estratégico, é importante perguntar: até que ponto a empresa vem gerando satisfação para os clientes através do mix de marketing? Importante lembrar que são as empresas que se adaptam aos clientes e não os clientes as empresas.



Os primeiros 4 Ps do marketing e sua evolução


Apesar de parecerem óbvios, vou explicar um pouco o que são cada um dos quatro conceitos básicos utilizados desde a década de 60 e o que você deve saber para planejar bem cada um deles, aplicando-os em um cenário atual.


Produto que solucione problemas


Este pilar serve para entender e definir quais são os atributos, diferenciais e características do que é oferecido para satisfazer as necessidades ou desejos do consumidor. Neste caso, o produto aqui não é somente um bem tangível, mas qualquer coisa que possa ser oferecida como um negócio, tendo um valor agregado e atendendo às necessidades de um determinado grupo de pessoas. Philip Kloter definiu um produto como “algo que pode ser oferecido a um mercado para apreciação, aquisição, uso ou consumo e que pode satisfazer um desejo ou uma necessidade” (Kloter & Armstrong, 2010). Atender as necessidades do consumidor ficou tão importante na última década que muitos profissionais de marketing renomearam o P de produto para P de problema, afinal, um produto fará sucesso quando resolver os problemas (desejos e necessidades) dos clientes.


Se você planeja desenvolver um novo produto, tenha sempre em mente algumas perguntas que você precisará responder para o seu time ou consultor de marketing:

  • Conceito: Qual o objetivo deste produto e como ele atende as necessidades ou desejos das pessoas? O público-alvo precisa do que você tem a oferecer?

  • Funções: O que é necessário ter para atingir tais expectativas? Como, em qual local e quando o cliente utilizará o produto?

  • Aparência: Como ele é fisicamente, com o que ele se parece? Qual será o seu formato, estilo, tamanho e cor? Existem variações?

  • Marca: Como será o nome? É possível registrar um domínio e perfis nas redes sociais sem ter que alterar o nome da marca?

  • Diferenciais: Como ele se diferencia dos outros produtos e serviços já existentes no mercado?

O desenvolvimento de novos produtos, de acordo com a demanda dos consumidores, é parte essencial do P de produto, e um forte exemplo de como os meios digitais estão mudando este processo é o uso do crowdsourcing, que é usado para criar produtos em parceria com potenciais consumidores, mudando de vez a forma tradicional de criação de produtos. Além disso, os dados coletados através de pesquisas e estatísticas online embasam o desenvolvimento de qualquer novo produto, uma vez que o comportamento dos usuários na Internet é registrado por diversos softwares, como Google Analytics, Facebook Pixel e MailChimp, por exemplo. O uso dos meios digitais também facilita a pesquisa direta, que podem ser feitas através de plataformas próprias ou de terceiros como o Google Forms, SurveyMonkey e Typeform.


Outro ponto importante no desenvolvimento de um produto, é entender o seu ciclo de vida antes dele ser lançado. O ciclo de vida de um produto ou serviço se caracteriza pela definição de cinco diferentes estágios: Desenvolvimento, Introdução, Crescimento, Maturidade e Declínio. Sendo que cada um deles possui exigências específicas tanto para estratégia de vendas quanto de marketing. Dessa forma, permite monitorar o seu comportamento no mercado, a atração e manutenção de clientes, assim como táticas relacionadas aos preços praticados.


Ao determinar essas fases de forma clara, fica muito mais fácil estabelecer também quais são as ações necessárias para divulgar esse produto ou serviço. No momento em que você definir o ciclo de vida do seu produto, vai ficar mais fácil entender em qual fase você está, e com isso, quais serão as melhores estratégias para o futuro.


Preço ou Percepção de Valor


A definição do preço para um produto ou serviço não é uma tarefa fácil, principalmente quando você está lançando um produto inovador. A precificação do produto ou serviço pode ser complicado para quem nunca o fez, mas existem mecanismos e estratégias que facilitam e ajudam nesse momento. A definição correta do preço, principal fator de geração de receita, pode alavancar a marca em termos competitivos, ou posicioná-la de forma errada no mercado. É importante lembrar que o preço não está vinculado somente ao valor do produto ou serviço, mas na percepção de valor da marca. Se é valiosa ou não para o consumidor. Ou seja: marcas mais valiosas para o cliente têm mais chances de continuar sendo escolhidas, mesmo que seu preço seja mais alto que o da concorrência.


Sempre que estou desenvolvendo um planejamento estratégico para uma marca, faço algumas perguntas ao cliente, que podem refletir ou não o que o mercado espera, mas sempre me dá uma ideia de por onde começar:

  • Margem: Qual é o menor valor financeiro que o produto pode ter a fim de garantir retorno?

  • Percepção de valor: Qual o maior valor aceitável pelo mercado?

  • Concorrência: Como está o preço do produto em comparação aos concorrentes? Qual é o preço praticado pelos líderes do mercado?

Identificar o preço médio praticado pelos concorrentes é relativamente simples, dependendo do mercado em que você irá atuar ou já atua, essa pesquisa de preços pode ser feita em questão de segundos através de outros sites que vendem produtos similares. E lembre-se de que não é só você que consegue fazer uma pesquisa de preços rapidamente, o consumidor também faz isso de uma forma cada vez mais rápida e precisa, através de aplicativos ou sites de comparação de preços.


Praça ou Presença


Uma vez definido o produto e seu posicionamento de preço, é preciso definir como será a distribuição deste produto – também conhecido como presença, ou seja, como e onde o consumidor poderá comprá-lo, ou contratá-lo, no caso de um serviço. Nesta fase do planejamento, garantiremos que as pessoas tenham acesso à marca para fazer suas compras, seja em um ambiente online ou offline.


É preciso fazer uma geotargeting strategy e de hábitos de consumo do público-alvo antes de definir os melhores canais de venda, por isso, a oferta do produto em ambientes online é quase sempre uma das melhores opções. É fundamental identificar onde o público-alvo mora e consome esse tipo de produto, em quais estabelecimentos ele vai normalmente, e que tipo de produtos ele consome online. Na última década a importância de se fazer uma análise de geotarget é muito mais útil para produtos que necessitam distribuição em lojas físicas e para auxílio na comunicação online, pois atualmente é preciso estar presente em todos os lugares.


Para conseguir ser eficaz na elaboração da melhor estratégia de distribuição, existem algumas perguntas que precisam ser respondidas:

  • Hábitos de Consumo: Por onde o seu público tem o hábito de procurar pelos produtos e serviços? Se for estabelecimento físico, quais são os tipos específicos que o público frequenta?

  • Pontos de Contato: Quais as redes sociais utilizadas pelo seu consumidor ideal (persona)? Esses clientes gostam de comprar online?


Promoção com Propósito


Finalmente é chegada a hora de promover o produto ou serviço. Agora é preciso pensar e elaborar mecanismos de divulgação da marca, tanto no mundo online como offline. A mensagem precisa chegar até as pessoas certas, pois é a melhor maneira de tornar a marca conhecida e os produtos serem considerados para futuras compras.


Hoje em dia não basta apenas ressaltar os diferenciais de um produto, é preciso mostrar ao consumidor qual é o propósito da marca.


Ter um propósito alinhado com o público-alvo, que reflita seus valores e crenças, saúde e bem-estar, sustentabilidade ambiental e até mesmo conexões familiares, tem um peso muito grande na decisão de compra.


Por mais inovador e necessário que seja um determinado produto, não há mais espaço para quem oferece condições de trabalho degradantes para os seus funcionários, por exemplo. As pessoas descobrirão rapidamente o seu verdadeiro modo de agir e a sua imagem pode ser comprometida para sempre.


Para encontrar o propósito de uma marca e torná-la ativa no dia a dia dos consumidores, é importante iniciar respondendo algumas perguntas básicas:

  • Qual o motivo da marca existir?

  • Qual papel ela desempenha na vida dos clientes?

  • Que tipo de soluções ela oferece?

  • Como o mundo seria diferente sem ela?

“Pode-se presumir que sempre haverá necessidade de algum esforço de vendas, mas o objetivo do marketing é tornar a venda supérflua. A meta é conhecer e compreender tão bem o cliente que o produto ou serviço se adapte a ele e se venda por si só. O ideal é que o marketing deixe o cliente pronto para comprar. A partir daí, basta tornar o produto ou serviço disponível.” – Peter Drucker

As ferramentas de análise de dados disponíveis hoje possibilitam um estudo mais assertivo na identificação do consumidor. Mas, antes de criar um plano de comunicação para promover um produto ou serviço, sempre início com algumas perguntas:

  • Budget: Qual o investimento que o cliente dispõe para investir no plano de comunicação?

  • Objetivo: Qual o objetivo de vendas? Em quanto tempo o cliente deseja atingir este objetivo?

  • Plano de Mídia: Quais os melhores canais online e offline, e quais ações de relações públicas podemos usar para apresentar o produto ou serviço?

  • Sazonalidade: Existe uma sazonalidade nas vendas do produto?

  • Análise dos Competidores: Como os competidores fazem a promoção de seus produtos e serviços? Quais os insights podemos obter com as ações da concorrência?


Sempre costumo dizer que a magia do marketing digital é que ele possibilita você criar, testar, mensurar e ajustar a sua comunicação em questão de horas, o que é impossível fazer quando se lança uma campanha na TV ou um anúncio em revista impressa, por exemplo. Sempre sugiro para meus clientes que iniciem seu plano de comunicação no ambiente digital e só depois de testada e validada, adapte a mensagem para os meios offline.


O marketing de permissão (inbound marketing) está ganhando cada vez mais o espaço da interrupção (outbound marketing). Os investimentos em mídias tradicionais como TV, rádio, revistas e jornais, estão perdendo cada vez mais espaço para a entrega de valor através do conteúdo online. E os números mostram que esse é um caminho sem volta:

  • 63% das vezes, a jornada de compra se inicia de forma online (Google, 2017).

  • 60% dos consumidores se sentem mais confiantes a respeito de uma empresa depois de ler conteúdo personalizado em seu site (Rock Content, 2019).

  • 50% da Geração Z e 60% dos Millenials consultam o smartphone quando estão realizando compras em lojas físicas (Ibotta, 2018).

  • O consumidor final gasta mais de 50% do seu tempo online consumindo conteúdo (Rock Content, 2019).

  • Quase metade dos consumidores compra mais pelo celular do que na loja física (Ibotta, 2018).


Sem falar que, depois da pandemia do COVID-19, a demanda por empresas que oferecem seus serviços online teve uma explosão histórica sem precedentes. De acordo com um estudo realizado em março de 2020, 42% da população dos EUA já estava comprando online pelo menos uma vez por semana (Soper, 2020). Isso marca um forte aumento de 22% há apenas dois anos. As vendas diárias de supermercado online também dobraram. Tenho certeza de que esse número ficou muito maior nos primeiros 6 meses de quarentena. A pandemia criou uma busca por empresas que solucionam o problema do cliente de forma online, e que não terá volta.


Se as empresas não se adequarem a esta nova forma de consumo, adequando seu plano de comunicação para atender este consumidor que está cada vez mais online, estarão fora do mercado em breve.


Os Ps complementares


Com a popularização das lojas online e mídias sociais, a jornada de compra do consumidor mudou e surgiu a necessidade de uma adequação para garantir a definição de um plano de marketing cada vez mais completo e integrado, voltado não apenas ao produto, mas agora com foco também no cliente, com isso, outras questões além dos 4Ps tiveram que ser levadas em conta. Garantir que o produto chegará até o público-alvo e que será consumido por ele é muito mais do que simplesmente falar de Produto, Preço, Praça e Promoção. É preciso construir um relacionamento mais próximo e personalizado com os consumidores, através da análise de dados e pesquisas de satisfação.


Os consumidores estão cada vez mais exigentes e cientes dos seus desejos e necessidades. O processo de compra está cada vez mais pautado na facilidade de acesso à informação, disponível 24 horas por dia nos smartphones, como pesquisas de preços online, comparativo de produtos e avaliações de outros consumidores. Com isso, eles deixaram de ser compradores passivos para assumir um papel mais ativo na escolha dos produtos e das mensagens de marketing que desejam ouvir e comprar.


O 4 Ps do marketing, criados na década de 60, continuam exercendo um papel fundamental em qualquer estratégia, e agora, mais do que nunca, é preciso acompanhar essa “nova” jornada de compra e necessidades dos consumidores, incluindo novos pilares nessa estrutura: Pessoas, Processos, Posicionamento e Performance.


Pessoas


O comportamento das pessoas precisa, mais do que nunca, ser levado em consideração. Para vender, não basta apenas comunicar a mensagem certa, para as pessoas certas, nos locais certos, é preciso criar uma empatia e um relacionamento entre a marca e o cliente. E isso tem que ser gerado de dentro para fora, iniciando ainda na fase de contratação, passando pelo treinamento, motivação e capacitação da equipe, fazendo com que eles entendam e entreguem na ponta a promessa da marca (Brand Promise). De nada adianta a comunicação chegar ao público-alvo se quando eles vão até você adquirir seu produto ou serviço, você não as atende bem.


Atender bem é receber bem, ouvir as necessidades e encontrar a melhor solução para elas. A necessidade de se criar empatia com o público é imensa. Segundo Albert Deweik, “empatia é a capacidade que uma pessoa tem de se colocar no lugar de outra e compreender suas questões e sentimentos. Dessa maneira, ser empático é muito mais do que entender as demandas de alguém” (Deweik, 2019).


Com a equipe afiada, é preciso se aprofundar mais e entender melhor o consumidor ideal para o seu produto. Sempre recorro, nas minhas estratégias, à criação de Personas para entender melhor as necessidades e hábitos dos consumidores dos meus clientes. Persona é uma representação semifictícia do cliente ideal de uma marca. Ela é baseada em dados reais sobre comportamento e características demográficas dos clientes, muitas vezes obtidas através de pesquisas online, assim como suas histórias pessoais, motivações, objetivos, desafios e preocupações. A criação de Personas é fundamental para sua estratégia de marketing digital, pois servirá como um guia de geração de conteúdo e de seu plano de comunicação.


Processos


Esse pilar foi incluído na versão moderna do marketing mix devido a sua importância na criação do plano da experiência do consumidor. A empresa não pode ter processos burocráticos e dificultar o relacionamento com o cliente, é preciso estar presente e ter processos claros e dinâmicos para proporcionar a melhor experiência de consumo possível, antes, durante e depois de uma venda. Afinal, todos os processos envolvidos a partir do primeiro contato com o cliente impactam diretamente no seu modo de pensar sobre a marca. Pensar, planejar e mapear todos os pontos de contato, visando manter um padrão de excelência é muito importante, e uma ferramenta muito utilizada nesta fase do planejamento é o Mapeamento da Jornada do Cliente (ou Customer Journey Mapping).



Em um primeiro momento, a jornada de um cliente parece bem simples. A empresa oferece algo e o consumidor compra. Porém, quando você começa a analisar em detalhes, levando em consideração todos os pontos de contato e como se deve proceder em cada um deles, você tem a exata noção de quão complexo é esse processo. O Mapeamento da Jornada do Cliente é uma representação visual de todas as experiências que os clientes têm com um produto, desde embalagens e manuais, até as postagens nas redes sociais. Ele ajuda a contar a história da experiência de um cliente com a marca, desde o engajamento original até um relacionamento de longo prazo. Mapear todas as fazes, ajuda a capacitar todos os responsáveis e prever soluções para possíveis problemas, garantindo assim que nenhuma interação tenha falhas.


Ao otimizar e melhorar as experiências ao longo da jornada do cliente, você construirá um relacionamento sólido e duradouro com seus consumidores. Segundo uma pesquisa da McKinsey & Company, “o número de pontos de contato digitais está aumentando em 20% ao ano, à medida que mais consumidores offline mudam para ferramentas digitais e consumidores mais jovens, orientados para a digital, entram na fila dos compradores” (Bughin, 2015). Com mais pontos de contato, surge mais complexidade na busca da excelência do atendimento das necessidades dos clientes. Um mapa também irá ajudar a identificar as áreas em que a tecnologia pode aliviar a carga e os desafios enfrentados pelas empresas.


Posicionamento


Posicionamento é a forma como a empresa vai interagir e criar uma conexão com o consumidor, construindo a forma com que a marca será reconhecida no coração e mente do seu público-alvo. Ou seja, posicionar uma marca é ocupar uma posição diferenciada na cabeça de um segmento específico de mercado. Se a empresa não oferecer algo de diferente, os consumidores não terão dificuldade em optar pela concorrência.


Em geral, para definir um bom posicionamento, é preciso responder a três perguntas básicas que, se você desenvolveu bem os 4 Ps do seu mix de marketing, não terá muitas dificuldades:

  • Buyer Personas: A quem o seu produto se destina?

  • Problema: Quais os problemas e necessidades do consumidor o produto vai resolver?

  • Diferencial (Point of Difference - POD): Qual o seu diferencial perante a concorrência?


Um exemplo de estrutura eficaz poderia ser o que a Amazon usou em 2001:


“Para usuários da World Wide Web que gostam de livros (buyer persona), a Amazon.com (marca) é uma livraria que oferece acesso instantâneo a mais de 1,1 milhão de livros (diferencial). Ao contrário dos varejistas tradicionais de livros (o que os concorrentes fazem), a Amazon.com oferece uma combinação de conveniência extraordinária, preços baixos e seleção abrangente (posicionamento).”

Para se criar uma boa estratégia de posicionamento de marca é preciso considerar, entre outros fatores, as forças e fraquezas da organização, as necessidades dos consumidores e do mercado, além da posição dos competidores. Fazer uma análise de SWOT é um bom ponto de partida para identificar esses fatores baseados em análises dos ambientes internos e externos. Outro propósito do posicionamento estratégico é permitir à empresa se concentrar em áreas específicas para combater os competidores, agregando assim vantagem competitiva.


Posicionar-se, portanto, significa explicar para o mercado quais são os valores que a marca oferece e que justificam comprar dela e não do concorrente. É provar para o consumidor porque ele deve pagar mais caro por aquilo que a marca oferece, ao invés de comprar mais barato do concorrente.


Performance


As várias métricas presentes no ambiente de marketing estão cada vez mais sofisticadas e ajudando muitos empreendedores a medir o famoso Retorno sobre o Investimento em Marketing (Return on Marketing Investment - ROMI). É preciso estabelecer metas e indicadores de desempenho (KPIs) para poder mensurar a sua performance regularmente, seja semanal, mensal ou quinzenal.


As metas de um negócio normalmente são relacionadas ao financeiro, vendas, obtenção e crescimento de receita, mas podem estar diretamente ligadas aos outros pilares, principalmente quando nossa comunicação é feita nos ambientes digitais, que nos dá uma série de indicadores que podem ser analisados e ajustados a qualquer momento. Softwares como Facebook Pixel e Google Analytics serão seus melhores aliados nessa tarefa. Indicadores de performance como Taxa de Engajamento, Custo de Aquisição do Cliente (CAC), Custo por Lead (CPL) e Taxa de Conversão são os meus preferidos.


Assim como qualquer decisão estratégica do marketing, o consumidor deve ser sempre o ponto central das decisões, e a análise desses oito pilares se faz necessário para um melhor entendimento das necessidades daquele que será a pessoa que utilizará o produto ou serviço oferecido, e como ela será abordada para a compra. Não basta apenas fazê-lo comprar, é preciso satisfazer todas as suas necessidades para que ele não só volte a comprar novamente, mas também seja um evangelizador da marca. E para isso é preciso que os 8 Ps do marketing moderno caminhem juntos no planejamento e na execução, sempre com uma constante mensuração dos resultados. E graças ao marketing digital, as métricas agora são bem mais precisas e facilitam na hora de identificar qual foi o retorno obtido.


Uma empresa que quer crescer e evoluir junto ao público, precisa levar cada um dos pilares em consideração a fim de se estabelecer como marca e organização. É a partir dessa estratégia que serão criadas oportunidades de negócio e vendas.



Andre Havro⁠ é estrategista de marketing, mentor e conselheiro de empresas com mais de 20 anos de experiência. Fundou uma das primeiras agências de marketing digital no Brasil e atualmente lidera o departamento de estratégias digitais da agência canadense Brand & Mortar com clientes atendidos no EUA e Canadá.


www.havro.digital


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